Observatório ligado à UFSM publica orientações de comunicação, risco, preparação e resposta ao El Niño SVG: calendario Publicada em 16/07/26
SVG: atualizacao Atualizada em 16/07/26 12h29m
SVG: views 225 Visualizações

Com mais de três anos de atuação, dispositivo é inédito no país e inova em prevenção e gestão de riscos e crises no Brasil

Alt da imagem

O Projeto de desenvolvimento institucional Observatório Brasileiro de Comunicação e Crise (OBCC) publicou orientações de comunicação de risco, e prepação e resposta ao El Niño. O projeto da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) tem parceria com a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e Fundação Osvaldo Cruz (Fio Cruz).

Com mais de três anos de atuação, é considerado um dispositivo inédito no país e inovador na área que visa fomentar, a partir da perspectiva comunicacional, da cultura de prevenção e da gestão de riscos e de crises no Brasil.

El Niño e o cenário projetado

Teve início em junho de 2026 o El Niño, um fenômeno natural que se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na faixa equatorial. Na interação com as mudanças climáticas, a exemplo do aquecimento global, os efeitos da sua atuação em todo o mundo tendem a ser mais intensos. A previsão é de que o El Niño atue no Brasil até fevereiro de 2027, com potencial de ser o mais forte da história.

As projeções disponíveis indicam um cenário de atenção ampliada. Ainda que existam incertezas quanto à intensidade final do fenômeno e à distribuição regional dos impactos, há possibilidade de que este episódio esteja entre os eventos mais intensos já registrados. Esse cenário exige preparação antecipada, monitoramento contínuo e comunicação pública clara, coordenada e baseada em evidências.

Nesse contexto, as orientações à sociedade não devem ser tratadas apenas como um alerta pontual, mas como parte de um processo permanente de preparação, resposta, atualização de informações e redução de riscos, considerando a evolução do fenômeno e seus efeitos combinados com as mudanças climáticas.

O cenário sugere aumento nos riscos relacionados a incêndios na Amazônia e no Pantanal, altas temperaturas nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, tendência de aumento dos riscos de desastres de origem hidrológica e geológica na Região Sul, associados ao excesso de chuva, além de episódios de secas e alta probabilidade de incêndios de vegetação nas Regiões Norte e Nordeste do país. Tendo em vista este panorama, o OBCC elencou algumas orientações para preparação e resposta aos impactos do El Niño.

Orientações de comunicação de risco, preparação e resposta

As orientações a seguir partem de uma perspectiva comunicacional e levam em conta uma visão interdisciplinar, visto que a gestão de riscos e de crises é um processo complexo que exige atuação conjunta e gestão integrada de múltiplas áreas especializadas.

Tais sugestões são voltadas à população, ao Poder Público e à Imprensa a fim de contribuir na preparação e resposta em casos de tempestades com granizo, incêndios florestais, rajadas de vento, deslizamentos de encostas, tornados, ciclones, inundações e enchentes.

 População

– Cadastrar-se nos sistemas de alerta da Defesa Civil (SMS: enviar o CEP para 40199 por SMS, Telegram: pesquisar o contato Defesa Civil Alertas, Whatsapp: cadastrar o nº 6120344611 e interagir com o robô informando CEP);

– Ter em mãos um kit de emergência para 72h com itens de primeira necessidade, sobrevivência ou de importância para identificação: mochila contendo RG/CPF, chaves de casa, roupa extra, agasalho, dinheiro, óculos de grau, remédios, apito, sacolas plásticas, curativos, lanterna carregada ou com pilhas, água e itens de higiene básica;

– Informar-se pelos canais de comunicação oficiais dos governos e de outros órgãos oficiais envolvidos: Defesa Civil, Bombeiros, INMET, Cemaden, empresas de distribuição de energia elétrica, água e esgoto;

– Informar-se a partir de publicações de veículos de comunicação reconhecidos pela prática jornalística (impresso, digital, radiofônico, televisivo);

– Informar-se pelos canais oficiais de comunicação dos governos a fim de evitar cair em golpes de criminosos (informação de dados pessoais, depósitos em contas bancárias, entre outros);

– Não compartilhar informações inverídicas, sem checagem e sem apuração;

– Não compartilhar informações que não contribuam para ajudar as vítimas e as equipes de resgate e assistência;

– Compartilhar alertas oficiais para que as pessoas saiam das áreas de risco a fim de diminuir o número de resgates e concentrar os esforços das equipes;

– A população deve evitar registrar e postar imagens em redes sociais digitais apenas por entretenimento ou em busca de seguidores e curtidas, principalmente se houver crianças e idosos nas fotografias e vídeos;

– Seguir as orientações emitidas pelos órgãos oficiais, a exemplo da Defesa Civil.
 

Poder Público

– Instalar sala/gabinete de situação/crise a fim de coordenar os esforços de forma organizada e integrada entre governos federais, estaduais e municipais;

– Monitorar continuamente situações de risco para identificação, mapeamento e acompanhamento em tempo real;

– Coordenar a identificação de rotas de fuga e definir locais seguros, a exemplo de pontos de encontro ou abrigos temporários;

– Organizar abrigo(s) temporário(s) para receber com dignidade as pessoas atingidas (segurança, água potável, energia elétrica, alimentação, banheiro, cobertores), principalmente para crianças, mulheres, pessoas com deficiência e idosos;

– Acionar rede de voluntários e servidores previamente treinados e capacitados para situações de crises;

– Dispor de sistema de alertas eficiente e acessível, com informações claras e breves, em diversos dispositivos (TV aberta, TV por assinatura, SMS, rádios, aplicativos, redes sociais digitais);

– Emitir alertas em tempo hábil para que a população possa agir, indicando o que fazer, para onde ir e o que levar;

– Comunicar a população antecipadamente sobre rotas de fuga, pontos de encontro e abrigos temporários em caso de desastres;

– Seguir plano de contingência com as ações de resposta delineadas para casos de emergência;

– Designar porta-vozes para situações críticas, sejam eles prefeitos, secretários, assessores, governadores, presidente da República, ministros de Estado;

– Atender à imprensa, ao repassar informações e responder a questionamentos que contribuam para a cobertura da situação;

– Acionar líderes comunitários, sistemas de alto-falantes, sirenes, carros de som e rádio para alertar/avisar a população sobre algum risco iminente como alternativa à internet e outros meios que necessitam de energia elétrica.
 

Imprensa

– Estar atenta às notas e aos comunicados emitidos pela Sala de Situação e/ou Gabinete de Crise dos governos;

– Não compartilhar informações inverídicas, sem checagem e sem apuração;

– Compartilhar alertas oficiais para que as pessoas saiam das áreas de risco a fim de diminuir o número de resgates e concentrar os esforços das equipes;

– Auxiliar na verificação de fake news disseminadas na sociedade, a fim de contribuir no combate ao processo de desinformação; 

– Relacionar e problematizar a cobertura jornalística levando em conta as mudanças climáticas, suas causas e consequências.

– Produzir conteúdo que informe e esclareça a população, a fim de evitar medo, boatos e dúvidas, facilitando a ação das pessoas em caso de necessidade de evacuação de áreas de risco;

– Abordar o desastre de forma responsável, evitando sensacionalismo, relativização ou espetacularização.

 As orientações anteriores não contemplam ações de restabelecimento e recuperação visto que eventos climáticos decorrentes do El Niño já estão sendo registrados nos Estados brasileiros – a exemplo de chuvas em excesso, tempestades e altas temperaturas.

Importante: intensidade do El Niño não significa impacto proporcional em todos os territórios

A intensidade do aquecimento das águas do Pacífico Equatorial é um indicador relevante, mas não determina, de forma automática e proporcional, a gravidade dos impactos em cada região. Os efeitos observados dependem também da interação com outros fatores atmosféricos e oceânicos, como a temperatura do Atlântico, frentes frias, bloqueios atmosféricos, correntes de jato, ciclones, frentes estacionárias, Oscilação Antártica, Oscilação de Madden-Julian e outros sistemas de variabilidade climática.

Por isso, recomenda-se evitar mensagens alarmistas ou deterministas. A comunicação de risco deve reconhecer a gravidade do cenário, mas também explicar que os impactos concretos dependem do monitoramento contínuo e da atualização permanente das previsões de curto, médio e longo prazo.

Monitoramento contínuo e comunicação baseada em evidências

Além do acompanhamento do El Niño, recomenda-se que órgãos públicos, imprensa e instituições envolvidas na gestão de riscos acompanhem continuamente boletins, alertas e notas técnicas emitidos por instituições oficiais, como Defesa Civil, INMET, Cemaden, INPE, Censipam, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, órgãos estaduais de meteorologia, universidades e centros de pesquisa.

O monitoramento do El Niño deve considerar não apenas o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, mas também fatores complementares que podem amenizar ou agravar seus impactos em cada região. Entre eles, destacam-se a temperatura do Atlântico Tropical e do Atlântico Sul, correntes de jato, bloqueios atmosféricos, ciclones, frentes estacionárias, Oscilação Antártica e Oscilação de Madden-Julian.

A comunicação à sociedade deve ser atualizada conforme a evolução dos riscos, com atenção especial a mudanças no padrão de chuvas, ondas de calor, estiagens, incêndios de vegetação, vendavais, granizo, ciclones, inundações, enxurradas e deslizamentos.

Sempre que possível, os alertas devem indicar com clareza:

  • o que pode acontecer;
  • onde pode acontecer;
  • quando pode acontecer;
  • quem está mais vulnerável;
  • o que fazer;
  • para onde ir;
  • o que levar;
  • quais canais oficiais acompanhar.

 Para mais alertas, informações e orientações, acesse:

Defesa Civil Nacional – Defesa Civil Alerta

Defesa Civil RS – Avisos e alertas 

MetSul Meteorologia

Instituto Nacional de Meteorologia – Notas técnicas

Organização Meteorológica Mundial – Avisos antecipados para todos 

Cemaden – Nota Técnica Nº 627/2026: El Niño 2026/2027 e impactos esperados no Brasil  .

 

Fonte: Portal da UFSM
Imagens: Agência de Notícias da UFSM
Edição: Fritz R. Nunes (Sedufsm)

 

 

 

 

SVG: camera Galeria de fotos na notícia

Carregando...

SVG: jornal Notícias Relacionadas

Sorteio de vagas para cotas em concursos públicos enfraquece promoção da igualdade racial

SVG: calendario 17/07/2026
SVG: tag Sedufsm
Movimento sindical docente pede revogação de instrução normativa conjunta de ministérios do governo federal

Moeda social testada na 32ª Feicoop faz dinheiro circular entre empreendimentos da economia solidária

SVG: calendario 16/07/2026
SVG: tag Sedufsm
Professora Rita Pauli, da UFSM, integra o 'Promover', projeto de extensão da UFSM que esteve à frente da iniciativa

Sedufsm divulga balancetes contábeis mensais de 2026

SVG: calendario 15/07/2026
SVG: tag Sedufsm
Presidente da seção sindical destaca que transparência no uso dos recursos fortalece democracia interna

Veja todas as notícias